A qualidade do ar interior não é só uma questão de conforto. É uma obrigação sanitária. A ANVISA, por meio da Resolução RDC nº 09/2003, define parâmetros mínimos para temperatura, umidade, fungos e CO₂ em ambientes com ar climatizado, e empresas que não cumprem essas exigências ficam sujeitas a sanções previstas na legislação sanitária.
Com a chegada do inverno, o risco aumenta: ar mais seco favorece a proliferação de fungos e irritações respiratórias, e sistemas de ar-condicionado sem manutenção adequada viram vetores de contaminação.
Neste artigo, você vai entender o que a ANVISA exige, como avaliar a qualidade do ar no seu ambiente e o que precisa estar documentado para manter sua empresa em conformidade.
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- O que diz a ANVISA sobre qualidade do ar interior?
- O que é qualidade do ar interior?
- Por que se preocupar com a qualidade do ar interior?
- Quais são os fatores que afetam a qualidade do ar interior?
- Qual a relação da qualidade do ar interior com o ar-condicionado?
- Como garantir a boa qualidade do ar interior?
- O que é a Síndrome do Edifício Doente?
- Como fazer a análise da qualidade do ar interior?
- Quem pode emitir a análise de qualidade do ar?
- Quais as consequências para a empresa se a análise do ar climatizado não for realizada?
- Qual a relação da qualidade do ar interior com o PMOC?
- Modelo de PMOC gratuito em Excel
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- Quais são os parâmetros de qualidade do ar interior pela ABNT NBR ISO 17.037:2023?
- Qual a diferença entre a RE 09/2003 da ANVISA e a ABNT NBR ISO 17.037:2023?
- Qual a relação entre qualidade do ar interior e o PMOC?
- Com que frequência deve ser feita a análise de qualidade do ar interior?
- Por que a qualidade do ar interior piora no inverno?
O que diz a ANVISA sobre qualidade do ar interior?
A ANVISA regula a qualidade do ar interior em ambientes climatizados por meio da Resolução RE nº 09, de 16 de janeiro de 2003. Essa norma estabelece os padrões referenciais de qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo.
Os parâmetros estabelecidos pela norma são:
| Parâmetro | Valor de referência |
|---|---|
| Temperatura (inverno) | 20°C a 22°C |
| Temperatura (verão) | 23°C a 26°C |
| Umidade relativa | 40% a 65% |
| Fungos | máx. 750 UFC/m³ (relação I/E ≤ 1,5) |
| CO₂ | máx. 1.000 ppm |
| Aerodispersóides | máx. 80 µg/m³ |
| Velocidade do ar | máx. 0,25 m/s |
A análise deve ser realizada por profissional habilitado, vinculado a laboratório credenciado pela ANVISA, e recomenda-se periodicidade semestral.
O que é qualidade do ar interior?
A qualidade do ar interior (QAI) refere-se à condição do ar dentro de edifícios e outros ambientes fechados, em relação à saúde, ao conforto e ao bem-estar das pessoas que os ocupam.
Esse conceito engloba a presença (ou ausência) de agentes contaminantes, como poluentes químicos, partículas em suspensão, micro-organismos e outros fatores que podem afetar negativamente a saúde ou o conforto dos ocupantes.
Quanto melhor a qualidade do ar, menos presença de agentes de risco há no ambiente. Ela também está relacionada a questões como umidade, temperatura e outros fatores que veremos mais adiante.
Por tratar de ambientes internos, a qualidade do ar interior está diretamente relacionada ao uso de aparelhos de ar-condicionado, outros equipamentos de refrigeração e à elaboração de documentos como o PMOC.
Por que se preocupar com a qualidade do ar interior?
A qualidade do ar interior está diretamente relacionada à saúde dos ocupantes, mas vai além disso:
- Saúde: a má qualidade do ar interior pode causar problemas respiratórios, alergias, dores de cabeça e até enfermidades graves, como asma ou doenças cardiovasculares
- Conforto: o ar puro melhora o bem-estar, a produtividade e a concentração dos ocupantes, contribuindo para a qualidade de vida
- Eficiência energética: ambientes com boa ventilação e controle de poluentes contribuem para a eficiência dos sistemas de climatização
Melhorar a qualidade do ar interior envolve práticas como manutenção adequada dos sistemas de ar-condicionado, uso de purificadores de ar, controle de fontes de poluição interna e aumento da ventilação natural. Falaremos mais sobre isso ao longo do artigo.
Quais são os fatores que afetam a qualidade do ar interior?
A qualidade do ar interior pode ser afetada por diferentes fatores, vamos conhecer quais são os principais:
1. Poluentes químicos
Agentes químicos são os principais responsáveis por comprometer a qualidade do ar interior. Alguns exemplos são:
- Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), emitidos por tintas, móveis, produtos de limpeza, entre outros;
- Monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO₂);
- Formaldeído, liberado por materiais de construção e móveis.
2. Partículas em suspensão
As partículas em suspensão também estão presentes em quase todos os ambientes, por isso é preciso garantir a boa circulação e renovação do ar, além da higienização dos espaços. Entre elas, estão:
- Poeira, pólen e fumaça de tabaco ou combustíveis;
- Microplásticos e outras partículas finas.
3. Micro-organismos
Chamados de agentes biológicos, os micro-organismos que podem afetar a saúde e o bem-estar dos ocupantes são:
- Fungos, ácaros, bactérias e vírus;
- Mofo, especialmente em locais úmidos e mal ventilados.
4. Ventilação
A falta de circulação de ar fresco pode acumular contaminantes e contribuir para a proliferação dos micro-organismos. Sistemas de climatização mal projetados ou mal mantidos também podem espalhar poluentes.
5. Umidade
Níveis inadequados de umidade (muito alta ou muito baixa) podem impactar a QAI, favorecendo o crescimento de mofo ou ressecamento das vias respiratórias.
Qual a relação da qualidade do ar interior com o ar-condicionado?
O ar-condicionado desempenha um papel crucial na circulação, filtragem e controle da temperatura e umidade do ar em ambientes fechados. Dependendo de como o sistema de ar-condicionado é projetado, utilizado e mantido, ele pode tanto melhorar quanto prejudicar a qualidade do ar interior.
Vamos entender melhor:
- Filtragem de poluentes: muitos sistemas de ar-condicionado possuem filtros que removem partículas em suspensão, como poeira, pólen, fumaça e outros poluentes, além de micro-organismos como fungos e bactérias;
- Controle da umidade: o ar-condicionado ajuda a manter níveis adequados de umidade, prevenindo condições excessivamente úmidas (que favorecem o crescimento de mofo e ácaros) ou muito secas (que podem ressecar as vias respiratórias);
- Ventilação: sistemas mais avançados (como HVAC) promovem a renovação do ar interno ao proporcionar troca de ar entre os ambientes, melhorando a circulação e diluindo poluentes;
- Regulação térmica: ambientes climatizados adequadamente são mais confortáveis, o que também contribui para a saúde e bem-estar dos ocupantes.
Porém, a manutenção inadequada dos sistemas de ar-condicionado pode ter o efeito contrário, prejudicando ainda mais a qualidade do ar interior. Filtros sujos ou danificados acumulam pó, partículas e até mesmo micro-organismos, que podem ser recirculados no ambiente e se tornar uma fonte de poluição interna.
Como garantir a boa qualidade do ar interior?
Tanto em imóveis residenciais quanto comerciais e industriais, é possível adotar algumas práticas para assegurar a boa qualidade do ar interior. Olha só:
1. Ar-condicionado
Como você já sabe, o sistema de ar-condicionado pode ser um aliado na purificação e renovação do ar interno. Além da instalação do ar-condicionado, é importante fazer a limpeza dos filtros e a manutenção adequada.
2. Limpeza do ambiente
O ambiente também precisa ser limpo com frequência para evitar o acúmulo de impurezas e a proliferação de micro-organismos. Evite o uso de produtos de limpeza tóxicos, que são igualmente nocivos à qualidade do ar.
3. Controle de poeira e alérgenos
Realize a limpeza frequente de tapetes, cortinas e estofados, que podem acumular poeira, ácaros e outros alérgenos.
4. Desumidificador ou umidificador de ar
É importante manter níveis adequados de umidade relativa (de 35% a 65%). Para isso, use desumidificadores em ambientes muito úmidos para prevenir o crescimento de mofo e ácaros.
Evite também o acúmulo de água — repare vazamentos rapidamente e seque superfícies úmidas para evitar o desenvolvimento de mofo.
Em locais muito secos, use umidificadores para evitar o ressecamento do ar e das vias respiratórias.
5. Purificação do ar
Utilizar purificadores com tecnologia para capturar partículas finas, gases tóxicos e micro-organismos ajuda a garantir a boa qualidade do ar interior.
Qualidade do ar interior: o que diz a ANVISA e como manter sua empresa em conformidade
No inverno, a umidade relativa do ar cai e o uso dos sistemas de climatização aumenta, criando as condições ideais para proliferação de fungos e bactérias nos filtros e dutos. Não por acaso, as infecções respiratórias têm picos sazonais justamente nessa época.
Segundo dados do Ministério da Saúde, as internações por doenças respiratórias no Brasil crescem entre 30% e 50% durante os meses frios. Ambientes com sistemas de ar-condicionado mal mantidos agravam esse quadro, especialmente em espaços com alta circulação de pessoas.
É por isso que especialistas recomendam realizar a análise de qualidade do ar antes do inverno, garantindo que os parâmetros da ANVISA estejam dentro do esperado antes do pico de uso dos equipamentos.

O que é a Síndrome do Edifício Doente?
A Síndrome do Edifício Doente (SED) é uma condição em que os ocupantes de um edifício relatam sintomas de desconforto ou problemas de saúde que parecem estar diretamente relacionados ao tempo que passam dentro do prédio.
Esses sintomas geralmente desaparecem ou diminuem quando a pessoa deixa o ambiente. A SED está associada a problemas na qualidade do ar interior, falta de ventilação adequada, presença de poluentes ou condições físicas inadequadas do edifício.
Alguns sintomas comuns da Síndrome do Edifício Doente incluem:
- Irritação nos olhos, nariz e garganta;
- Tosse ou dificuldade para respirar;
- Dores de cabeça;
- Fadiga ou sensação de cansaço;
- Náusea ou tontura;
- Ressecamento ou irritação na pele;
- Dificuldade de concentração.
Os sintomas geralmente não têm uma causa médica identificável, mas estão associados ao ambiente interno. Eles tendem a melhorar ou desaparecer quando os ocupantes deixam o edifício.
As principais causas da Síndrome do Edifício Doente são:
1. Ventilação inadequada
Falta de circulação de ar fresco ou baixa taxa de troca de ar, que pode ser causada por sistemas de climatização mal dimensionados ou obstruídos.
2. Poluentes no ambiente interno
- Químicos: compostos Orgânicos Voláteis (COVs) provenientes de tintas, móveis, tapetes, produtos de limpeza, etc;
- Partículas: poeira, fumaça, fibras de materiais de construção;
- Biológicos: mofo, ácaros, bactérias e vírus.
3. Fatores físicos
Entre os fatores físicos estão iluminação inadequada (excesso ou falta de luz), ruídos excessivos e temperaturas ou umidade extremas.
4. Mau funcionamento dos sistemas de climatização
O acúmulo de sujeira ou falhas nos filtros do ar-condicionado é um dos principais causadores da SED. A presença de água parada nos dutos também favorece o crescimento de fungos e bactérias.
5. Materiais de construção e design do edifício
Em alguns casos, o uso de materiais que liberam substâncias químicas tóxicas pode ser responsável pelo desenvolvimento da doença. Projetos que impedem a circulação adequada de ar também podem prejudicar a saúde dos ocupantes.
Como fazer a análise da qualidade do ar interior?
Para avaliar a qualidade do ar interior, é necessário monitorar poluentes, umidade, ventilação e outros fatores que impactam a saúde e o conforto dos ocupantes.
Por anos, a referência legal foi a Resolução RE nº 09/2003 da ANVISA. Em julho de 2024, essa resolução foi revogada e os padrões passaram a seguir a ABNT NBR ISO 17.037:2023, que atualiza os limites com base em pesquisas mais recentes e normas internacionais.
Os parâmetros vigentes para avaliação da qualidade do ar interior são:
Conforto térmico
- Temperatura: entre 21°C e 26°C (limite fixo, independente da estação);
- Umidade relativa: entre 35% e 65%;
- Velocidade do ar: máximo de 0,20 m/s, medido a 1,5 m do piso.
Poluentes e contaminantes
- CO₂: máximo de 700 ppm acima da concentração do ar externo;
- Fungos: máx. 750 UFC/m³ (relação interno/externo ≤ 1,5); fungos patogênicos e toxigênicos são inaceitáveis em qualquer concentração;
- Bactérias mesófilas: até 500 UFC/m³ (para ambientes indicados pela norma);
- Material particulado PM₁₀: máx. 50 µg/m³;
- Material particulado PM₂.₅: máx. 25 µg/m³.
Requisitos de avaliação
- Periodicidade: semestral;
- Coleta externa obrigatória no mesmo período da coleta interna;
- Laboratórios devem seguir sistema de gestão da qualidade conforme ABNT NBR ISO/IEC 17025.
Para resultados mais precisos, o ideal é combinar dispositivos de monitoramento contínuo com análises feitas por especialistas, principalmente em locais com alta circulação de pessoas, como escritórios, escolas e clínicas.

Quem pode emitir a análise de qualidade do ar?
Ainda conforme a RE nº 09 da Anvisa, a análise de qualidade do ar deve ser feita por profissionais habilitados, credenciados a laboratórios certificados pelo órgão.
Quais as consequências para a empresa se a análise do ar climatizado não for realizada?
De acordo com a RE nº 09, empresas que não se adequarem ao nível de poluição estabelecido ficam sujeitas a multas que podem variar de R$2.000,00 a R$1.500.000,00, dependendo de alguns fatores como tamanho do estabelecimento e gravidade do risco oferecido aos ocupantes.
Além disso, ambientes com baixa qualidade do interior ficam mais suscetíveis à proliferação de doenças respiratórias e outros problemas de saúde causados pela má qualidade do ar.
Por isso, recomenda-se a emissão de uma análise técnica de qualidade do ar a cada seis meses para assegurar a boa qualidade do ar interior nos ambientes.
Qual a relação da qualidade do ar interior com o PMOC?
O PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle) é uma exigência da Lei nº 13.589/2018 e é uma ferramenta essencial para garantir que sistemas de climatização, como ar-condicionado, funcionem de forma eficiente, segura e que não comprometam a qualidade do ar interior e consequentemente a saúde dos ocupantes do ambiente.
O PMOC é obrigatório para todos os edifícios que possuem sistemas de climatização com capacidade acima de 60.000 BTUs/h. Ele determina que os sistemas de ar-condicionado e ventilação sejam mantidos em condições adequadas de operação, evitando a contaminação do ar e garantindo o conforto térmico.
Seu principal objetivo é assegurar o bom funcionamento do sistema de climatização e dessa forma prevenir problemas na qualidade do ar interior e promover a saúde e segurança dos ocupantes do ambiente.
Sem a manutenção adequada, sistemas de climatização podem acumular sujeira, poeira, umidade e resíduos orgânicos, favorecendo a proliferação de fungos, ácaros e bactérias.
Além da Lei nº 13.589, o PMOC se baseia na Resolução RE nº 9/2003 da ANVISA, que define os parâmetros aceitáveis para contaminantes no ar, como dióxido de carbono (CO₂), partículas em suspensão, fungos e bactérias.
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